Novo website divulga programação cultural acessível a todos

2018-10-08

Novo website divulga programação cultural acessível a todos

Nesta agenda online pode encontrar-se informação sobre a programação acessível de 34 museus, teatros, centros históricos ou monumentos — a maior parte em Lisboa e no Porto, mas também em Coimbra, Faro, Leiria, Setúbal e Viseu. Trata-se de um novo website, criado pela associação Acesso Cultura, e que foi apresentado no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Maria Vlachou, directora executiva da associação, disse ao PÚBLICO que, apesar de a programação cultural acessível ainda ser reduzida, “nos últimos anos a oferta aumentou substancialmente. Há maior consciência”. Razão pela qual os responsáveis pela Acesso Cultura sentiram a necessidade de a tornar mais visível.

A associação já apresentava esta programação no seu site há dois anos, “de forma algo amadora”. Mas sentiram a necessidade de criar uma página autónoma, para verdadeiramente chegar a quem dela quer usufruir. Já havia informação e hábitos para renovar a informação; faltava apenas construir a estrutura para agregar tudo.

Com o apoio da Fundação Millennium BCP, foi criado o site Cultura Acessível. Com ele, os responsáveis esperam cumprir três objectivos: democratizar o acesso à programação cultural acessível; dar maior visibilidade ao trabalho consistente de várias entidades culturais portuguesas na área da acessibilidade; motivar entidades de todo o país para criarem este tipo de programação, especialmente aquelas que ainda não o fazem de forma permanente.

Ao entrar na página, o visitante pode navegar pelos vários eventos sem critério ou limitar a sua pesquisa: pelos géneros (cinema, dança, música, oficina, performance, teatro, visita guiada ou visita livre); pela data ou distrito, ou ainda pelo público a que se destina. Aí, poderá seleccionar a faixa etária e a necessidade específica de quem vai assistir: deficiência visual, deficiência auditiva ou surdez, deficiência intelectual ou outras necessidades específicas. A última categoria foi pensada sobretudo para as Sessões Descontraídas, um conceito que a Acesso Cultura trouxe para Portugal. “São sessões de teatro, de dança, de música, de cinema, em que as regras de comportamento são um bocadinho mais relaxadas. Quando as condições são estas, pessoas com autismo, deficiência intelectual, epilepsia, etc., podem sair com os seus familiares e amigos e ninguém as vai olhar de lado, se fizerem um bocadinho de barulho, ou se se levantarem”, afirma Maria Vlachou.

A informação sobre a programação acessível a pessoas com deficiência motora, no entanto, não está contemplada no Cultura Acessível. “Este site centra-se no acesso à programação, não no acesso físico aos espaços, porque, em primeiro lugar, este já é uma obrigação legal”, explica a directora da Acesso Cultura. A página remete, ao invés, para outros sites ou publicações em que este tipo de informação já existe. A associação garante, todavia, continuar a insistir com os espaços com que dialoga para que sejam acessíveis e para disponibilizarem informação nos próprios websites sobre os acessos disponíveis. “Não basta dizerem: ‘Somos acessíveis a pessoas com mobilidade condicionada.’ É importante que a informação esteja detalhada. Estas pessoas têm de saber em pormenor quais as condições que vão encontrar, para poderem avaliar se podem sair sozinhas ou se vão precisar de ajuda.”

É com orgulho que Maria Vlachou diz ao PÚBLICO que a página Cultura Acessível é também ela acessível. “No site disponibilizamos o certificado que diz que cumprimos neste momento o nível mais alto de acessibilidade web. Continuaremos obviamente a fazer todos os esforços para que isto se mantenha.”

O site arranca com mais de 50 eventos acessíveis e o objectivo é ver este número crescer. Esperam que, ao saber dele, outras entidades com trabalho na área da acessibilidade os contactem, no sentido de partilharem informação sobre os seus eventos. “Acreditamos que, ao tornar mais inclusivo o acesso à oferta cultural, não estamos a beneficiar apenas aqueles que têm mais dificuldade em aceder-lhe. Estamos a beneficiar também as instituições culturais e a sociedade como um todo, tornando-a mais democrática, mais justa, mais aberta e mais culta”, disse Leonel Alegre, vogal da Acesso Cultura.

(Público)