Autarca de Viseu faz balanço positivo do regresso à Câmara

2022-10-06

Autarca de Viseu faz balanço positivo do regresso à Câmara

Em declarações à agência Lusa, Fernando Ruas diz que não só o poder local está “bem diferente” do que conhecia, com uma normalização que retira “um pouco a capacidade de iniciativa e de inovação dos autarcas”, mas refere também que a Câmara de Viseu mudou no aspeto organizacional.

“A organização é um bocado diversa daquela que eu deixei e que eu imaginava, portanto, uma boa parte do trabalho deste primeiro ano é de adaptação da estrutura àquilo que é a nossa conceção de gestão”, explica o autarca, que já tinha liderado o município durante 24 anos (entre 1989 e 2013).

No entanto, “há coisas que não se podem mudar repentinamente”, sendo preciso “fazer uma análise fina para ver onde há coisas que não estão bem” e depois corrigi-las.

Nas eleições autárquicas de 2013, Fernando Ruas não pôde voltar a candidatar-se devido à lei de limitação de mandatos. Almeida Henriques foi o candidato vencedor do PSD, que ficou à frente dos destinos do município até abril de 2021, quando morreu na sequência de complicações provocadas pela covid-19.

Quanto, há cerca de um ano, Ruas tomou posse, os efeitos da pandemia ainda se sentiam e, a este problema, juntou-se “o processo inflacionista, que tem repercussões impressionantes”, ou seja, vários fatores acabaram por interferir no andamento dos projetos.

Segundo Fernando Ruas, outra das dificuldades foi “a própria natureza dos projetos, muito sensíveis”.

“Depois, notámos muito erros de projeto. Os projetos, normalmente, têm de ser todos verificados e há erros em quase todos os projetos”, conta o autarca.

A somar a isto, há o problema da revisão de preços e, neste âmbito, Fernando Ruas está convencido de que “todas as obras, em Viseu e em qualquer lugar, estão atrasadas”, não havendo “uma organização que neste momento possa dizer que começa e acaba as obras nos prazos estipulados”.

Questionado sobre a oposição socialista, Fernando Ruas diz que “tem havido um bom relacionamento”, mas que não houve “nenhuma proposta especial que tenha sido apresentada formalmente e que tenha sido debatida”.

“Aprovaremos todas as propostas da oposição que tenham pés para andar”, garante o social-democrata, acrescentando que, no entanto, o seu executivo é que foi eleito para gerir o concelho.

O socialista João Azevedo também reconhece o bom relacionamento institucional, com uma “relação de frontalidade nas reuniões de câmara”, que considera fundamental.

No entanto, o antigo presidente da Câmara de Mangualde lamenta que, das “dezenas de sugestões” feitas pela oposição neste ano de mandato, “nenhuma delas, ou muito poucas, tiveram a atenção política da maioria executiva”.

 

Lusa