Biblioteca

2020-05-04

Biblioteca

Desinfetar os bancos do carro elétrico e os puxadores da porta já é uma rotina para Pedro Vaz. De luvas e máscara, este funcionário de 52 anos, na Secção da Cultura da Câmara de Viseu, que antes da pandemia apoiava a realização de eventos, tem agora a missão de entregar livros da biblioteca municipal em casa de quem os requisita. É o serviço "takeaway", ao qual Teresa Alexandra da Silva, frequentadora assídua do equipamento aderiu, mal entrou em funcionamento, no passado dia 16. "Gosto muito desta opção e até me trouxeram os livros ao local de trabalho ", realça Alexandra.

Antes de chegar à clínica onde Alexandra trabalha, na Rua Alves Martins, Pedro Vaz telefonou a avisar que estava à porta. "Se a entrega for num apartamento, nem subo. Ligo e vêm à porta recolher o saco com os livros, revistas ou filmes", explica Pedro, que tem notado o agradecimento dos cidadãos. Esta nova modalidade da biblioteca que, no ano passado, alcançou 100 mil utilizadores, nasceu de um sentimento de frustração, provocado pela covid-19. "Ver as salas vazias e o nosso trabalho suspenso é um desamparo", conta Jorge Sobrado, vereador da Cultura. "Temos 90 mil títulos armazenados e decidimos pô-los na rua, em casa das pessoas", justifica o autarca , seguindo o exemplo de outros concelhos. Quem não for leitor pode inscrever-se no site da biblioteca, consultar o catálogo e fazer a requisição.

Da biblioteca estão a sair sete sacos de livros por dia para as 25 freguesias, (algumas a mais de meia hora de distância) entregues gratuitamente, de segunda a sexta-feira. Só na primeira semana do "takeaway" inscreveram-se 40 novos leitores. "É curioso que estamos a ter leitores de bairros sociais, onde muitas vezes julgamos haver menos apetência para a leitura.", realça o vereador.

Teresa Almeida, coordenadora do setor adulto da biblioteca municipal, está agora preocupada com os leitores idosos, que ali ocupavam o tempo e faziam amizades. "Havia um senhor que todos os dias, às 8 horas, estava na biblioteca para ler os jornais. Corria-os a todos até ao final do dia. Agora não sei o que é feito dele e preocupa-me , mas não sabemos onde mora", lamenta.

É nos mais idosos que estão centradas as atenções. No concelho com 100 mil habitantes, foram infetadas 80 pessoas com o novo coronavírus. O primeiro caso tem registo de 24 de março. Desde o passado dia 10 que os números oscilam entre os 60 e os 83 casos confirmados.

Nas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e nas instituições de apoio às pessoas com deficiência foram realizados 400 testes aos funcionários. Todos testaram negativo, segundo a Câmara. Esta operação já abrangeu 20 das 53 instituições do concelho.

(Jornal de Notícias)