Responsável da Câmara de Nelas veio de Espanha e furou quarentena

2020-03-26

Responsável da Câmara de Nelas veio de Espanha e furou quarentena

Há dois novos casos de Covid 19 em Nelas, um deles com eventuais repercussões nos serviços de contenção da pandemia. Em causa está o chefe de gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Nelas, que esteve em Madrid dez dias, até que esta segunda feira regressou ao trabalho.

“Veio, não avisou ninguém, não observou a quarentena e esteve reunido com bombeiros, IPSS, Proteção Civil e demais entidades do concelho no delinear da estratégia de contenção da pandemia”, conta fonte da saúde. O responsável “participou inclusive na reunião de câmara, presencial, que teve lugar nesta quarta-feira”, contou fonte da autarquia.

Na página oficial da autarquia é sinalizado este novo caso em Canas de Senhorim, na urbanização onde reside o responsável político. A autarquia, que não presta esclarecimentos, garante que está a “acompanhar a situação, a proceder a desinfeções e em diálogo com as autoridades de saúde”. Várias fontes, ligadas à Proteção Civil e políticas, censuram “este comportamento perigoso de quem devia ser o primeiro a dar o exemplo”.

O Expresso tentou contactar o chefe de gabinete, que depois da confirmação do teste se encontra em isolamento em casa, mas não obteve resposta até ao momento.

O comandante distrital da Proteção Civil disse ao Expresso que esta “é uma questão das autoridades de saúde”. Todavia, adiantou que “não foi recebido qualquer pedido adicional da Proteção Civil de Nelas”. Os bombeiros lembram que este comportamento “pode colocar em risco a resposta operacional de socorro no concelho, até porque o chefe de gabinete contactou com todas as autoridades civis e de segurança municipais e distritais”.

O Expresso procurou contactar também o presidente da autarquia, mas Borges da Silva não respondeu às solicitações. Também a delegada de saúde que acompanha a questão de covid-19 não esteve disponível. Fonte da Proteção Civil adianta, contudo, que o concelho “tem o plano municipal ativo e, se a situação se agravar pode ser decretada uma cerca sanitária”, semelhante à que existe em Ovar.

Em causa está o facto de este ser um dos maiores pólos industriais da região, com dezenas de empresas em funcionamento, e de ser também um entroncamento ferroviário e rodoviário, fazendo a ligação do centro do país com a Europa.

(Expresso)