Escolas fechadas a partir desta 2ª Feira em todo o país

2020-03-12

Escolas fechadas a partir desta 2ª Feira em todo o país

O primeiro-ministro confirmou o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino até à Páscoa, remetendo para a altura uma avaliação de como será o terceiro período escolar, o que deve acontecer no dia nove de abril.
António Costa relembrou que ainda ontem que o Conselho Nacional de Saúde determinou o não encerramento dos estabelecimentos de ensino, a não ser em caso de solicitação expressa das Autoridades de Saúde, explicando que a suspensão hoje decretada aconteceu depois do Centro Europeu para o Combate às Doenças ter emitido um parecer que pede o encerramento das escolas. Sem consenso dos dois lados, Costa assumiu como atitude prudente suspender todas as atividades letivas, sublinhando que a base das decisões será baseado no conhecimento cientifico, explicando que o consenso técnico ainda não está consolidado em várias matérias sobre o novo coronavírus (Covid-19).
Nos últimos dias e perante o anuncio dos primeiros casos confirmados, foram várias as instituições de ensino que encerraram portas ou suspenderam aulas — lista completa aqui.
Para além do encerramento dos estabelecimentos de ensino, o primeiro-ministro também decretou "o encerramento das discotecas e estabelecimentos similares", a redução "a um terço a lotação de estabelecimentos de restauração" e a limitação "da frequência de centros comerciais e serviços públicos”. As visitas a lares de idosos passam a estar restringidas em todo o país. Sobre os cruzeiros, continuarão a aportar para reabastecer, mas não para o desembarque de passageiros - com exceção para os que sejam residentes em Portugal.

"Não há o partido do vírus e do antivírus. Esta é uma luta pela nossa sobrevivência"

Na comunicação feita esta quinta-feira à noite ao país, depois da reunião do Conselho de Ministros e da reunião com representantes de todos os partidos, António Costa agradeceu o contributo de todos, sublinhando ter sentido "e todos os partidos sem exceção o empenho de partilharmos em conjunto esta batalha que é de todos". "Não há o partido do vírus e do antivírus, esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência”, disse.
Salientando que atualmente “o mundo enfrenta uma situação excecional e que coloca desafios imensos”, Costa apelou ao "sentido de comunidade, de partilha de vida em comum”, acrescentando que "cada um de nós tem como primeiro dever, protegermo-nos uns aos outros”, pedindo um “esforço coletivo para combater” esta crise.
Entre os esforços que são pedidos está o "limite ao máximo o nível de circulação e de contacto social". “Temos de assumir e partir do princípio que esta pandemia no continente europeu, e em Portugal, ainda não atingiu o seu pico, está em fase de evolução. É muito provável que nas próximas semanas mais doentes venham a ser contaminados, por ventura com mais consequências para a sua saúde, e que este surto possa ser mais duradouro do que estimámos inicialmente”, diz Costa.
Salientando a responsabilidade de cada um de nós tomarmos conta dos outros, reforçando mais uma vez o sentimento coletivo, Costa pede que sejam levadas a sério as medidas de higiene explicando que o encerramento das escolas não se deve ao facto de serem um local de contaminação, mas por serem local de elevado contacto social, pedindo assim aos jovens que não vão ter aulas que limitem ao máximo as suas deslocações e convívio social.
Horas antes, e numa conferência de imprensa curta e sem novidades, Graça Freitas, Diretora Geral de Saúde, lembrou também outras medidas que implicam mudanças das rotinas, mas que podem ser muito úteis, da lavagem de mãos a medidas de “etiqueta respiratória” (cuidados quando se espirra, por exemplo), ou medidas de distanciamento social, como evitar aglomerados.
António Sales, secretário de Estado da Saúde, falou também do primeiro caso de recuperação da doença em Portugal, que é “um sinal de esperança”, e advertiu que as “preocupações coletivas não podem condicionar decisões políticas”.
O novo coronavírus responsável pelo Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.600 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.
O número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus que causa a doença Covid-19 subiu para 78 esta quinta-feira, mais 19 do que os contabilizados no dia anterior, anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).
Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela DGS, há ainda 637 casos suspeitos, sendo que 133 aguardam resultado laboratorial.
Existem também 4923 contactos em vigilância pelas Autoridades de Saúde. Mantêm-se, até ao momento, as seis cadeias de transmissão ativas.
Esta quarta-feira, fonte do Serviço Nacional de Saúde (SNS) confirmou à Lusa que uma das primeiras pessoas internadas no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, infetada pelo Covid-19 está curada, depois de dois testes negativos.