Serviço de oncologia em Viseu está em rutura

2019-06-11

Serviço de  oncologia em Viseu está em rutura

O Sindicato dos Médicos da Zona Centro, o Sindicato Independente dos Médicos e a secção regional do Centro da Ordem dos Médicos alertam, em comunicado conjunto, que a situação atingiu “o ponto de rutura e que os colegas oncologistas assumem a incapacidade de garantir a consulta e tratamentos de quimioterapia para novos doentes”.

Uma situação,  “previsível desde há vários meses, e  que levou a que, nas últimas semanas, os doentes com necessidade de iniciar quimioterapia estejam em suspenso à espera de uma solução”, contam os responsáveis, explicando que a quimioterapia “tem uma janela limite de eficácia”.

Segundo o comunicado, “a consulta de decisão multidisciplinar e uma terapêutica integrada dentro da mesma instituição são pressupostos de qualidade” na abordagem do doente oncológico.

“Os cirurgiões do centro hospitalar assumiram já, perante a direção clínica, a indisponibilidade para realizar qualquer intervenção cirúrgica do foro oncológico que não cumpra estes pressupostos”, acrescentam, enaltecendo as três estruturas “esta postura de responsabilidade”.

Para os doentes oncológicos, “muitos deles debilitados física e psicologicamente, uma solução que envolva múltiplas viagens para outra instituição é simplesmente incomportável”. revela o comunicado. “Não  obstante o empenho na resolução desde problema por parte direção clínica, os resultados são insuficientes. É responsabilidade da tutela, o Ministério da Saúde, assumir a condução deste assunto, de extrema gravidade, fruto da política de desinvestimento no SNS”, acrescentam as estruturas.

Os sindicatos médicos e a Ordem dos Médicos lembram que, “em bom tempo”, denunciaram publicamente a situação do serviço de Oncologia do Centro Hospitalar Tondela Viseu.

“Um serviço altamente deficitário em recursos humanos e limitado por instalações físicas exíguas, indignas para o propósito que cumprem”, lamentam.

Segundo as três estruturas, anualmente são operados neste centro hospitalar “cerca de 350 doentes com patologia oncológica do aparelho digestivo, 160 doentes com cancro da mama e ainda doentes oncológicos do foro ginecológico e urológico”.

Em comunicado, o conselho de administração do Centro Hospitalar esclarece que “tem vindo a ponderar, e a executar, medidas com vista a ultrapassar a carência de profissionais da área da oncologia, minimizando eventuais transtornos para os doentes”.

Neste âmbito,segundo a Agência Lusa, “recentemente e de forma imediata, foi possível proceder à contratação de um especialista em regime de prestação de serviços e assegurar a continuidade da colaboração de uma médica oncologista até final do ano, antevendo-se, desde já, a possibilidade de contratação futura”.

O conselho de administração explica que “enquanto se encontra a decorrer o concurso de recrutamento de um especialista para Oncologia no Centro Hospitalar, têm sido mantidos contactos com o IPO de Coimbra, com o objetivo de estabelecer uma parceria estratégia permanente ao nível dos recursos humanos altamente qualificados, e com oncologistas do Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro”.

Comprometendo-se a “ultrapassar as atuais dificuldades”, o conselho de administração enaltece o esforço que os médicos oncologistas têm feito “em prol do bem-estar dos doentes e da segurança e qualidade reconhecidas dos tratamentos ministrados”.