Plano de ação ViseuFolk promete oferta turística mais diversificada

2018-02-28

Plano de ação ViseuFolk promete oferta turística mais diversificada

O plano de ação ViseuFolk, hoje apresentado na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), é "um balão de novo oxigénio para a revitalização do folclore e da cultura popular tradicional", disse à agência Lusa o presidente da autarquia, Almeida Henriques.

Na sua opinião, "este investimento ganha especial oportunidade" este ano, uma vez que Viseu receberá "o maior e mais importante festival europeu de folclore", o Europeade, de 25 a 29 de Julho, que receberá mais de cinco mil participantes de 30 países.

"A partir de Viseu, concelho e região, podemos e queremos criar um movimento de reconciliação do público com o património imaterial e histórico português. Esse movimento passa também pela inovação, pela criatividade", frisou.

Segundo Almeida Henriques, "os artistas que foram desafiados para este projeto são um contributo muito importante neste sentido".
Katty Xiomara e Moullinex são dois artistas que receberam encomendas inspiradas no folclore de Viseu: a primeira para desenvolver criações de moda e o segundo para criar um projeto musical 'eletro-folk'.

A autarquia irá também apoiar a criação de um espetáculo de dança contemporânea da escola Lugar Presente e da Companhia Paulo Ribeiro inspirado na temática do folclore e endereçou o convite a Cristina Rodrigues para a organização de uma exposição de obras próprias dedicadas à temática das artes populares.

Almeida Henriques explicou que, para além da inovação, há no plano ViseuFolk "uma nova e uma reforçada atenção ao extenso e diversificado tecido de atores desta cultura popular e tradicional: dos grupos folclóricos aos grupos de cantares, dos artesãos tradicionais aos produtores agroalimentares de qualidade e tradição".

Um dos exemplos é o lançamento da linha Revitalizar, no âmbito do programa municipal Viseu Cultura, que é dotada de um orçamento de cem mil euros para financiamento de projetos de valorização, modernização e rejuvenescimento do folclore local.

O registo municipal do associativismo cultural do concelho (a realizar este ano e no próximo), a eleição do folclore como temática central das marchas populares e das Cavalhadas, e o lançamento do programa municipal Viseu Certifica (em 2019), com o objetivo de proteger produtos locais de qualidade e a sua eventual classificação ou certificação, são outras das ações previstas.

Jorge Sobrado, vereador da autarquia com os pelouros da Cultura e do Turismo, frisou à Lusa que todo o universo do folclore, no qual inclui música, etnografia, artesanato e produtos locais, "representa um património imaterial popular que pode constituir uma diversificação da oferta turística" de Viseu.

O linho da Várzea de Calde, as flores dos namorados de Fragosela, a broa de Vildemoinhos, as rendas de bilros de Farminhão, os vinhos do Dão, o queijo de Povolide, as avelãs, o mel e a doçaria regional são alguns dos produtos que integram este património.

"Nós estamos a crescer bem do ponto de vista de dormidas (mais de 200.000 e uma faturação hoteleira de cerca de nove milhões de euros em 2017), mas não estamos a conseguir descolar do ponto de vista da estadia média dos turistas", referiu.

Na sua opinião, tal acontece porque o produto turístico "está muito centrado na cidade".

"O mundo da cultura rural, popular, pode ser um fator de dinamização de territórios não urbanos e, ao mesmo tempo, ser um fator de desenvolvimento turístico", frisou.

Jorge Sobrado disse ainda que o objetivo é mostrar que Viseu tem "não apenas o produto urbano, a cidade monumental, a cultura centrada na cidade histórica", mas também "o património cultural imaterial, rural, etnográfico".

(RTP)