Jazz em movimento nos transportes públicos de Viseu

2018-07-10

Jazz em movimento nos transportes públicos de Viseu

“Este ano, estarão a circular nos autocarros do Serviço de Transportes Urbanos de Viseu (STUV) com o intuito de levar a música e a cultura em geral, não só aos que já se preocupam em se alimentar e usufruir dela, mas também às pessoas que pelas mais variadas circunstâncias nem sempre têm acesso ou nem sempre estão despertas para ela”, justificou Ana Bento.

A diretora da Gira Sol Azul explicou que, este primeiro ano, os músicos vão circular nas linhas de Lustosa, Fragosela e Orgens e, “nos próximos anos, quem sabe, serão outras linhas contempladas”, um movimento à semelhança do que tem acontecido desde a primeira edição do festival com a iniciativa do Jazz de Rua, com “bandas em formato ambulante a circular em ruas da cidade”.

“Eles vão entrar nos autocarros e fazer os percursos de ida e volta, ou seja, apanham duas levas de pessoas e, certamente, também farão pequenas atuações junto das paragens dos autocarros para darem oportunidade a quem passa e a passageiros de outras linhas de usufruírem destes momentos musicais”, especificou Ana Bento.

A sexta edição do “Que Jazz é este?” conta com a presença dos “melhores músicos do mundo” e “das maiores referências nacionais” como é o caso de “um dos maiores nomes da música portuguesa, da música improvisada e do jazz: Carlos Bica”.

Este músico português atua com o “trio Sócrates Bôrras, que ficou em segundo lugar nos prémios jovens músicos e que conta com um elemento viseense, Miguel Rodrigues, que faz parte do coletivo” da Gira Sol Azul, que, segundo a responsável, desafiou a tocar nesta sexta edição “jovens músicos de uma nova geração de forma a deixar uma semente para o futuro”.

“A Viseu Big Band, que é um projeto que também nos orgulha muito e que contempla essencialmente músicos das bandas filarmónicas da região que tocam instrumentos de sopro e que tornámos mais forte com uma parceria com o Conservatório de Música de Viseu, um parceiro imprescindível”, referiu Ana Bento.

Este ano, anunciou, estão “incluídos formalmente alguns professores de sopro” na banda que tem circulado ao longo do último ano “em alguns municípios que colocaram a Viseu Big Band nos programas das suas festas” e que este ano faz a abertura do Festival de Jazz de Viseu, no Museu Grão Vasco, com a participação do saxofonista galego Xose Miguelez.

Ana Bento adiantou ainda que projetos do festival como a Rádio Rossio, que será uma presença assídua no Parque Aquilino Ribeiro e que tem circulado ao longo do ano em escolas e instituições, e a realização de concertos mensais de jazz num espaço da cidade, são formas manter o público interessado e permanente.

“O investimento, quer humano, quer financeiro, é muito grande e às vezes sabe assim um bocadinho a pouco quando as coisas acontecem só nesses cinco dias”, justificou a diretora da Gira Sol Azul.

Numa apresentação mais extensa do programa do festival que acontece entre 01 e 05 de agosto, em vários palcos, com maior permanência no Parque da Cidade, Joaquim Rodrigues, da organização, destaca a presença de nomes internacionais que “já tocaram com Ray Charles ou Stevie Wonder”.

“Este ano, o nosso convidado de referência é o inglês Omar Lye-Fook, cantor e multi-instrumentista, um artista de um nível muito, muito elevado, e contamos também com a presença de Etienne Mbappé, de origem camaronesa, mas há muito radicado em Paris”, destacou Joaquim Rodrigues, que anunciou também nomes como Richard Spaven e Soweto Kinch, de Inglaterra.

Miguel Ângelo, um contrabaixista do Porto, e João Paulo Esteves da Silva com Javier Subatin, farão dois concertos, de um total de 29 do festival, “mais intimistas” em duas unidades hoteleiras da cidade.

Presente na conferência de imprensa de apresentação do programa do sexto Festival de Jazz de Viseu, o presidente da Câmara de Viseu enalteceu a agenda destes cinco dias de agosto que se juntam “a um programa vasto, diversificado e de qualidade que decorre ao longo de três meses na cidade”.

“Cada vez mais é feita por agentes independentes sem amarras, com liberdade, com criatividade, com qualidade e isso é muito bom e a cidade está a crescer sob esse ponto de vista, na autonomia e na capacidade para sonhar dentro da estabilidade que é dada pelas políticas públicas que foram criadas, porque a estabilidade também é importante”, referiu António Almeida Henriques.

O autarca anunciou que a Câmara, através do programa Viseu Cultura, “apoiou de forma financeira com 50.000 euros e de forma não financeira até 12.500 euros” este festival que “já está dentro dos projetos consolidados, o que é resultado de um percurso feito”.

“O que aprecio nesta iniciativa é que de ano para ano vai subindo um patamar, não tem tido altos e baixos que, às vezes, são visíveis noutras iniciativas da cidade, o que no caso do festival do Jazz tem tido uma lógica de todos os anos crescer mais um bocadinho e vai-se consolidando, o que é extremamente positivo, porque fideliza os públicos e faz com que olhem para este festival como sendo já maduro”, elogiou.

(DN)