Incêndios: Câmara de Gouveia aponta dificuldades na recuperação de casas ardidas

2018-04-16

Incêndios: Câmara de Gouveia aponta dificuldades na recuperação de casas ardidas

O presidente da Câmara Municipal de Gouveia, Luís Tadeu, disse hoje à agência Lusa que existem "dificuldades" na realização de obras em casas que arderam total ou parcialmente, por "pormenores ridículos, que não atendem à realidade daquilo que se passava".

A situação atinge "pessoas que viviam em casas arrendadas há trinta e tal, quarenta e tal anos, mas que, pelo facto de não terem contrato de arrendamento, por exemplo, estão agora a ser prejudicadas", denunciou.

Segundo o responsável, estes munícipes, cujo número não especificou, estão sem "qualquer apoio" para a recuperação das habitações e "muitas vezes" nem sequer são apoiados com "os pequenos 2.500 euros para o recheio" das casas.

Luís Tadeu adiantou que são "pessoas que perderam tudo e que agora estão à beira de não receber um centavo de apoio, porque as regras que [os organismos] colocaram para a concessão desses apoios, ao mínimo pormenor que falhe, já não têm direito a esse apoio".

Indicou que a situação está a acontecer em Gouveia, na zona da Serra da Estrela, no distrito da Guarda, mas acredita que "não deve ser exemplo único".

A ajuda aos habitantes que estão nestas condições terá de ser dada pelas Câmaras Municipais, admite.

No concelho de Gouveia, no caso das casas que arderam, "algumas dessas famílias viviam em casas arrendadas e tiveram agora que arrendar novas habitações, a custos completamente diferentes" e o município já teve que avançar "com o apoio de, pelo menos, 50% da renda desses novos contratos de arrendamento".

"Conclusão: da parte do Estado, não tiveram apoio nenhum. A Câmara é que está a arcar com isso", anota Luís Tadeu.

As chamas de outubro atingiram 11 das 16 freguesias de Gouveia e calcula-se que destruíram "mais de mil hectares de área" do concelho, situando-se "a larga maioria" no perímetro do Parque Natural da Serra da Estrela.

Uma farmácia e muitas empresas, industriais e comerciais foram afetadas.

O edifício onde funcionava a farmácia, na localidade de Melo, ainda não foi recuperado, mas o presidente da autarquia de Gouveia adiantou que a atividade foi retomada "logo nos dias seguintes" ao incêndio.

Segundo fonte do município de Gouveia, no âmbito da candidatura ao Programa de Apoio à Recuperação de Habitação Permanente (PARHP), os quatro casos cujas obras ficaram a cargo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro "estão em fase de procedimento concursal para a realização de empreitada de obras públicas de construção/reconstrução".

No concelho já foram concretizados dois processos de obra e existe um caso em que a condução dos trabalhos, que fica a cargo da Câmara Municipal de Gouveia, "está em fase de execução de projeto/procedimento concursal".

(DN)